Fonte: Autor, 2026.

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Crédito de carbono CORSIA é o crédito aceito pelo CORSIA, esquema da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI, ou ICAO em inglês) que obriga companhias aéreas a compensar as emissões de CO2 de voos internacionais acima de uma linha de base. Na fase atual, de 2024 a 2026, o crédito precisa vir de programa aprovado pela OACI, ter safra entre 2021 e 2026 e contar com autorização do país de origem.

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Para receber uma cotação, tenha em mãos:

  • Fase de cumprimento: primeira fase (2024 a 2026) ou compra antecipada para a segunda fase, a partir de 2027.
  • Volume: quantidade de unidades e cronograma de entrega.
  • Programa: Verra, Gold Standard, ART TREES, ACR ou outro aprovado pela OACI.
  • Tipo de projeto: REDD+ jurisdicional, reflorestamento, energia, metano, entre outros.
  • Prazo: as unidades da primeira fase precisam ser canceladas até 31 de janeiro de 2028.

CORSIA, mercado de carbono da aviação: o que é

O CORSIA (Carbon Offsetting and Reduction Scheme for International Aviation), também chamado de ICAO CORSIA, foi adotado pela OACI em 2016. No CORSIA, carbono neutro significa que o crescimento das emissões da aviação internacional acima da linha de base precisa ser compensado. O sistema é dividido em três etapas: fase piloto (2021 a 2023) e primeira fase (2024 a 2026), ambas voluntárias para os países, e segunda fase (2027 a 2035), obrigatória para a maior parte dos Estados.

A partir de 2024, a linha de base passou a ser 85% das emissões de 2019. O que a companhia emitir acima desse patamar nas rotas cobertas vira obrigação de compensação, cumprida com unidades de emissão elegíveis, os chamados CORSIA carbon credits, ou reduzida com o uso de combustíveis sustentáveis.

O Brasil entra na fase obrigatória em 2027. Na prática, companhias brasileiras com voos internacionais passam a ter de compensar o crescimento das emissões nas rotas cobertas, e o país se torna fornecedor potencial de créditos, desde que autorize formalmente os créditos gerados aqui.

Tipos de créditos e unidades no CORSIA

  • Unidades de programas aprovados: para a primeira fase, a OACI aprovou programas como ART TREES, ACR, Verra, Gold Standard, Climate Action Reserve e Global Carbon Council, cada um com exclusões próprias de metodologias.
  • REDD+ jurisdicional: créditos gerados por governos a partir da queda do desmatamento em todo o território. Os primeiros créditos da primeira fase vieram da Guiana, vendidos no fim de 2024 a US$ 21,70 por tonelada.
  • Créditos do Artigo 6.4 (PACM): o mecanismo da ONU que sucede o MDL pode ampliar a oferta, a depender das decisões da OACI.
  • Combustíveis elegíveis (CORSIA SAF): o uso de SAF e de combustíveis de baixo carbono reduz a obrigação de compensação. Para isso, o combustível precisa de certificação de sustentabilidade por esquemas aprovados, como o ISCC CORSIA e o RSB CORSIA.

Como funciona o crédito de carbono CORSIA

  1. Monitoramento: a companhia mede e reporta as emissões dos voos internacionais à autoridade de aviação civil do seu país.
  2. Cálculo da obrigação: a autoridade define quantas toneladas a empresa deve compensar no período.
  3. Compra das unidades: a empresa adquire créditos elegíveis em contratos bilaterais, com intermediadores, na plataforma ACE, da IATA, ou em contratos futuros negociados em bolsa.
  4. Cancelamento: as unidades são canceladas no registro do programa, com indicação de uso no CORSIA.
  5. Reporte: a companhia comprova o cancelamento à autoridade, que informa a OACI.

Checklist de elegibilidade para a primeira fase: programa aprovado pela OACI; metodologia não excluída; safra entre 1º de janeiro de 2021 e 31 de dezembro de 2026; atividade com primeiro período de créditos iniciado em 2016 ou depois; e Carta de Autorização (LoA) do país anfitrião, com ajuste correspondente, conforme o Artigo 6 do Acordo de Paris. Na Verra, por exemplo, o lote precisa exibir no registro o rótulo de autorização do Artigo 6 para uso internacional.

Preço e escassez em 2026

O gargalo não é a falta de projetos, e sim de autorizações. As companhias aéreas precisarão de 146 milhões a 236 milhões de unidades para cumprir a primeira fase, mas até o início de 2026 apenas sete países haviam emitido cartas de autorização. Os primeiros negócios da fase atual giraram perto de € 19 por tonelada, e a modelagem da Sylvera projeta de US$ 25 a US$ 36 em 2027, com possibilidade de passar de US$ 60 em um cenário de aperto de oferta. Dados do Banco Mundial divulgados em 2026 também mostram que os créditos CORSIA sustentaram prêmio de preço no último ano.

Para que servem os créditos CORSIA, e o que é o ProBioQAV

O uso principal é o cumprimento das obrigações das companhias aéreas em voos internacionais. Os créditos também são procurados por empresas de outros setores que querem um padrão reconhecido internacionalmente, já que o crivo da OACI funciona como filtro extra de integridade.

No mercado doméstico, entra em cena o ProBioQAV, Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, criado pela Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024). A partir de 1º de janeiro de 2027, os operadores de voos domésticos terão de reduzir 1% das emissões com uso de SAF, percentual que sobe gradualmente até 10% em 2037. A proposta de regulamentação da ANAC, em consulta pública até 1º de outubro de 2026, admite SAF, CBIOs do RenovaBio e créditos de carbono entre os instrumentos de cumprimento e alcança os operadores que emitem pelo menos 10 mil toneladas de CO2 por ano em voos domésticos.

O desenho foi pensado para coincidir com a fase obrigatória do CORSIA e com a entrada da aviação no SBCE. Na prática, a partir de 2027 o combustível sustentável e o crédito de carbono passam a ser as duas ferramentas das companhias aéreas para cumprir as metas, dentro e fora do país.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que é CORSIA na aviação?

É o esquema global da OACI que obriga companhias aéreas a compensar, com créditos de carbono elegíveis ou com uso de combustíveis sustentáveis, as emissões de voos internacionais que ultrapassam a linha de base de 85% das emissões de 2019.

Qualquer crédito de carbono vale para o CORSIA?

Não. Na primeira fase, só valem unidades de programas aprovados pela OACI, de metodologias não excluídas, com safra de 2021 a 2026 e carta de autorização do país anfitrião com ajuste correspondente.

Quanto custa um crédito CORSIA?

Os primeiros negócios da primeira fase ficaram em torno de US$ 20 por tonelada, e as projeções para 2027 vão de US$ 25 a US$ 36, com risco de alta se a oferta de créditos autorizados continuar curta.

O Brasil participa do CORSIA?

Sim. O Brasil passa a integrar a fase obrigatória em 2027, mesmo ano em que começam as metas do ProBioQAV para os voos domésticos.

Qual a diferença entre CORSIA e ProBioQAV?

O CORSIA é internacional e vale para voos entre países. O ProBioQAV é brasileiro, vale para voos domésticos e exige redução de emissões com SAF, com uso complementar de CBIOs e créditos de carbono previsto na proposta da ANAC em consulta.

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