Créditos de carbono REDD+ são créditos gerados pela conservação de florestas sob risco de desmatamento ou degradação, e cada crédito equivale a 1 tonelada de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) que deixou de ser emitida. Em 2026, a tonelada de REDD+ no mercado voluntário vai de cerca de US$ 6 a valores acima de US$ 15 em projetos de alta qualidade, e a compra segura exige conferir certificação, safra, registro e titularidade da área.
REDD+ é o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, somado à conservação dos estoques de carbono, ao manejo sustentável de florestas e ao aumento dos estoques de carbono florestal. A Lei nº 15.042/2024 incorporou esse conceito à legislação brasileira. Na prática, quem mantém a floresta em pé é remunerado pelas emissões que deixam de ocorrer em comparação com uma linha de base.
Para ter valor de mercado, o crédito passa por um ciclo completo:
Linha de base: estima quanto de floresta seria perdido sem o projeto, com base no histórico e no risco de desmatamento da região.
Metodologia e projeto: o cálculo das emissões evitadas segue metodologia reconhecida, como a VM0048 da Verra.
Validação e verificação: uma auditoria independente confirma o projeto e as reduções efetivamente alcançadas.
Emissão e registro: os créditos recebem números de série em padrões como Verra (VCS), Gold Standard e Social Carbon.
Venda e aposentadoria: o comprador adquire os créditos e os aposenta no registro, em seu nome, o que impede a revenda e comprova a compensação.
Tipos de REDD+: projeto privado, jurisdicional e não mercado
A Lei nº 15.042/2024 separa três arranjos, e a diferença muda quem vende, como o crédito é certificado e quais riscos o comprador assume:
Tipo
Quem desenvolve
Como gera valor
Ponto de atenção
REDD+ de projeto (privado)
Proprietário ou desenvolvedor, em área própria ou de usufruto legítimo
Créditos certificados (Verra, Gold Standard, Social Carbon) vendidos no mercado voluntário
Metodologia, linha de base e titularidade definem a qualidade do lote
REDD+ jurisdicional (JREDD+)
Estado ou país
Créditos de resultados verificados (ART TREES, Verra JNR), sem venda antecipada de períodos futuros
O proprietário pode pedir a exclusão do imóvel do programa para evitar dupla contagem
REDD+ não mercado
Governo (por exemplo, Fundo Amazônia)
Pagamento por resultados, sem crédito negociável
Não gera crédito que possa ser vendido (art. 42, §1º)
Créditos de Carbono REDD+ disponíveis para adquirir
A Terra Mapeada atua como intermediadora entre compradores, vendedores e detentores de créditos de carbono, com prática de mercado, compliance e operações executadas recentemente. Mantemos listados de créditos de alta integridade, o que permite negociação rápida entre as partes. Para áreas da Amazônia, a certificação é conduzida com a Mauri, parceira que opera transações internacionais com Gold Standard e Social Carbon. Hoje somamos mais de 173 mil hectares em projeto.
Como adquirir créditos REDD+ em cinco passos
Defina o objetivo e o volume: compensação voluntária, meta net zero, CORSIA ou carteira para revenda, sempre em tCO2e.
Escolha o perfil do crédito: projeto ou jurisdicional, bioma, padrão, safra e rótulo CCP.
Faça a due diligence: certificação do lote e documentação da área, conforme o checklist abaixo.
Formalize o contrato: preço por tCO2e, cronograma de entrega, cláusula de substituição caso o crédito seja invalidado e forma de pagamento.
Aposente os créditos: cancelamento no registro em nome do comprador, guardando números de série e certificado.
Como saber se um crédito REDD+ é confiável
O REDD+ é o tipo de crédito mais analisado do mercado voluntário. Um estudo internacional liderado pela Universidade de Cambridge e pela VU Amsterdam apontou superestimação de resultados em projetos antigos, e investigações jornalísticas ligaram alguns projetos amazônicos a grilagem de terras. Por isso, a conferência do lote vem antes do preço:
Metodologia e rótulo CCP: o ICVCM aprovou, em novembro de 2024, a VM0048 da Verra, o ART TREES e o Verra JNR. Créditos de metodologias anteriores, como a VM0007, não podem receber o rótulo, e os projetos em operação migram para a VM0048 com requantificação.
Linha de base: na VM0048, ela deixa de ser escolhida pelo desenvolvedor e passa a seguir dados jurisdicionais, o que responde às críticas de inflação de resultados.
Registro e safra: número de série em registro público, safra recente e possibilidade de aposentadoria em nome do comprador.
Titularidade: matrícula, CAR, georreferenciamento no SIGEF e contrato entre gerador e desenvolvedor averbado na matrícula (art. 43, §5º).
Sobreposições e salvaguardas: terras indígenas, territórios quilombolas, assentamentos e programas jurisdicionais, com consulta e repartição de benefícios documentadas. Em terras indígenas, a lei assegura às comunidades ao menos 70% dos créditos REDD+ de mercado (art. 47).
A lei protege o comprador de boa-fé contra vícios do imóvel, salvo má-fé ou fraude (art. 43, §16), mas a conferência documental segue sendo a principal defesa contra o crédito ligado a área irregular ou a cálculo inflado. Para áreas amazônicas acima de 50 mil hectares, trabalhamos também com modelo de permuta, e os detalhes são apresentados somente em contato direto.
REDD+ Brasil: projetos, estados e marco legal
Os projetos de REDD+ no Brasil se concentram na Amazônia e no Cerrado, os biomas com maior pressão de desmatamento, e convivem com programas jurisdicionais estaduais. Segundo levantamento da IETA de 2026, seis estados (Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Tocantins) submeteram notas conceituais ao ART TREES, e Acre, Pará e Tocantins estavam em verificação formal.
O maior exemplo é o acordo do Pará com a Coalizão LEAF, de setembro de 2024: US$ 180 milhões por 12 milhões de créditos, a US$ 15 cada, com compradores como Amazon, Bayer, BCG, Capgemini e H&M. O acordo foi questionado na Justiça por falta de consulta às comunidades, e a Justiça Federal negou o pedido de suspensão em junho de 2025.
Em paralelo, o mercado se organiza em três frentes:
Frente
Quem usa
Situação em 2026 para o REDD+
Mercado voluntário
Empresas e organizações que compensam por decisão própria
Em operação, é onde estão hoje os créditos REDD+ de projeto
Fase obrigatória a partir de 2027; o ART TREES foi aprovado para a fase de 2024 a 2026
Para quem compra ou vende REDD+, quatro regras da Lei nº 15.042/2024 são decisivas:
Titularidade: o crédito pertence originariamente ao gerador, ou seja, a quem tem propriedade ou usufruto legítimo da área, e pode ser compartilhado com o desenvolvedor por contrato (art. 43).
Exclusão de programas jurisdicionais: o proprietário pode pedir a qualquer tempo a saída do imóvel, por comunicado à CONAREDD+, e a existência do programa não restringe projetos privados (art. 43, §§ 6º e 10).
Sem venda antecipada jurisdicional: programas de estados e do país não podem vender resultados futuros.
Conversão em CRVE não é automática: o crédito precisa vir de metodologia credenciada pelo SBCE, ser verificado por entidade independente e constar no Registro Central (art. 44), e créditos de manutenção ou manejo florestal só convertem se a metodologia reconhecer redução efetiva (art. 42, §2º).
Crédito de carbono: valor por hectare e preço por tonelada
O valor por hectare não é fixo. Ele resulta de uma conta simples, e quem promete um número sem analisar a área está simplificando demais:
Receita bruta por ano = créditos por hectare × área elegível × preço por tCO2e
As referências de preço de 2026 mostram por que a faixa é ampla:
Referência
Valor
Fonte
Média do crédito REDD+ no mercado voluntário (janeiro de 2026)
cerca de US$ 6 por tCO2e
Sylvera
REDD+ bem avaliado (BBB+ ou superior), 1º trimestre de 2026
média de US$ 9,60, em alta há três trimestres
Sylvera
REDD+ da Amazônia com certificação Verra, ofertas de 2026
€ 12 a € 15
Senken
REDD+ jurisdicional do Pará (acordo com a LEAF, 2024)
US$ 15
Governo do Pará e LEAF
A diferença entre US$ 6 e mais de US$ 15 vem da qualidade do projeto, da metodologia, da safra e do volume negociado, e os valores devem ser confirmados em cotação.
Um exemplo real no Cerrado de Goiás: em 2022, a Reservas Votorantim certificou 11,5 mil hectares com potencial de cerca de 50 mil créditos por ano, perto de 4,3 créditos por hectare. Com preços de US$ 6 a US$ 15, isso daria de US$ 26 a US$ 65 por hectare ao ano, antes do buffer de risco, dos custos do projeto e da repartição com o desenvolvedor. A própria desenvolvedora estimou em US$ 40 por tonelada o preço de equilíbrio para o produtor preservar em vez de plantar soja no Cerrado, e é por isso que cada área precisa de análise própria.
Atenção: desconfie de promessas de "X créditos por hectare" calculadas só pelo estoque de carbono da vegetação. O crédito REDD+ remunera a emissão evitada em relação à linha de base, e não o carbono que já está armazenado.
Venda de crédito de carbono: como funciona e como vender no Brasil
A venda funciona em duas etapas: primeiro o projeto é estruturado e certificado, depois os créditos emitidos são negociados com compradores. No Brasil, o caminho é este:
Diagnóstico da área: análise de matrícula, CAR, Reserva Legal, APPs, sobreposições e histórico de uso do solo.
Regularização fundiária e ambiental: CCIR, georreferenciamento certificado no INCRA/SIGEF, CAR retificado, ADA e ITR em dia.
Estruturação do projeto: escolha da metodologia, da linha de base e do potencial de créditos.
Validação e verificação: auditoria por entidade independente.
Registro e emissão: certificação no padrão escolhido.
Comercialização: negociação com compradores, contrato e entrega dos créditos.
O proprietário pode vender diretamente, firmar parceria com um desenvolvedor, que divide os créditos ou a receita, ou optar por permuta. Em parceria, o contrato precisa ser averbado na matrícula do imóvel (art. 43, §5º). Quanto à tributação, o ganho na venda é tributado pelo imposto de renda, as receitas não sofrem PIS/Pasep nem Cofins, e as despesas de geração podem ser deduzidas nas condições do art. 17 da lei, o que deve ser confirmado com o contador.
Além do REDD+, geram créditos a restauração e o reflorestamento, o manejo florestal sustentável e a agricultura de baixo carbono. No REDD+, o gerador precisa comprovar:
Titularidade: propriedade ou posse regular da área, com matrícula e georreferenciamento.
Ameaça real à floresta: risco de desmatamento ou degradação que justifique a linha de base.
Adicionalidade: a redução de emissões vai além do que ocorreria sem o projeto.
Permanência e monitoramento: proteção da área e acompanhamento ao longo da vida do projeto.
A lei admite a geração de créditos a partir da manutenção e da recomposição de APP, Reserva Legal e áreas de uso restrito (art. 46), e a elegibilidade final depende da metodologia. Como a base de tudo é a regularização, quem tem a documentação da terra organizada chega muito mais rápido à fase de comercialização.
Empresas que compram crédito de carbono no Brasil
A demanda vem de metas climáticas voluntárias, de obrigações como o CORSIA e da expectativa do SBCE. Os perfis mais comuns são:
Mineração, energia e indústria: empresas com emissões relevantes e compromissos de neutralização.
Agronegócio e exportadoras: companhias que respondem a clientes e investidores no exterior.
Setor financeiro e bancos de fomento: bancos, gestoras e fundos com metas de descarbonização.
Aviação e logística: setores sujeitos ao CORSIA ou com emissões de difícil redução.
Tradings e intermediadores: agentes que formam portfólio para revenda.
Entre os compradores divulgados estão a Vale, que adquiriu 133 mil créditos REDD+ de um projeto no Pará, equivalentes à proteção de 50 mil hectares, o BNDES, que comprou R$ 8,7 milhões em créditos em chamada pública, incluindo um projeto REDD+ de 94 mil hectares em Rondônia, e as empresas do acordo Pará/LEAF. Quem compra para compensar emissões encontra o passo a passo em compensação de carbono: como funciona, calculadora, empresas e eventos.
Como a Terra Mapeada ajuda na compra e na geração de créditos REDD+
Para quem quer comprar, intermediamos o acesso a créditos de alta integridade, com conferência de certificação, safra e origem da área. Para quem quer vender, estruturamos a base do projeto, com georreferenciamento, CAR e regularização fundiária e ambiental.
São créditos gerados pela conservação de florestas sob risco de desmatamento ou degradação. Cada crédito equivale a 1 tonelada de CO2 equivalente que deixou de ser emitida em relação a uma linha de base, medida e verificada por auditoria independente e registrada em um padrão como Verra, Gold Standard ou Social Carbon.
Como adquirir créditos de carbono REDD+ disponíveis?
Defina o volume e o objetivo da compra, escolha o perfil do crédito (padrão, safra, projeto ou jurisdicional), faça a due diligence do lote e da área, formalize o contrato com preço por tonelada e cláusula de substituição e aposente os créditos em seu nome. Um intermediador técnico acelera a conferência dos documentos.
Quanto custa um crédito de carbono REDD+ em 2026?
Depende da qualidade. A Sylvera registrou média de cerca de US$ 6 por tCO2e em janeiro de 2026 e de US$ 9,60 para créditos bem avaliados no primeiro trimestre. Ofertas de REDD+ da Amazônia com certificação Verra aparecem entre € 12 e € 15, e o acordo jurisdicional do Pará foi fechado a US$ 15.
Quanto vale o crédito de carbono por hectare?
Depende dos créditos gerados por hectare e do preço da tonelada. Em um projeto de 11,5 mil hectares no Cerrado de Goiás, o potencial era de cerca de 50 mil créditos por ano, perto de 4,3 por hectare, o que daria de US$ 26 a US$ 65 por hectare ao ano com preços de US$ 6 a US$ 15, antes de custos e repartição.
Qual a diferença entre REDD+ de projeto e REDD+ jurisdicional?
O REDD+ de projeto é desenvolvido em uma área específica por proprietário ou desenvolvedor. O jurisdicional cobre um estado ou país, é conduzido pelo governo e usa padrões como o ART TREES. Pela Lei nº 15.042/2024, o proprietário pode pedir a exclusão do imóvel do programa jurisdicional para evitar dupla contagem.
Crédito REDD+ pode ser usado no mercado regulado (SBCE)?
Não automaticamente. Para virar CRVE, o crédito precisa vir de metodologia credenciada pelo órgão gestor do SBCE, ser verificado por entidade independente e ser inscrito no Registro Central. A regulamentação segue em andamento, e a lei limita a conversão de créditos de manutenção ou manejo florestal sustentável.
Como saber se um crédito REDD+ é confiável?
Confira a metodologia (a VM0048 da Verra, o ART TREES e o Verra JNR têm aprovação do ICVCM), a safra, o registro público com número de série, a titularidade da área, a ausência de sobreposições e a documentação de salvaguardas sociais. O rótulo CCP indica aderência aos Core Carbon Principles.
Venda de crédito de carbono: como funciona e como vender no Brasil?
A área é regularizada, o projeto é estruturado e validado, os créditos são emitidos em um padrão de certificação e então negociados por venda direta, parceria com desenvolvedor ou permuta. É preciso ter título ou posse legítima, CCIR, georreferenciamento no SIGEF, CAR, ADA e ITR em dia.
Como gerar crédito de carbono REDD+?
Mantendo floresta nativa sob ameaça real de desmatamento ou degradação, dentro de um projeto com metodologia reconhecida, linha de base, monitoramento e verificação independente. A adicionalidade e a permanência da proteção precisam ser demonstradas.
Quais empresas compram crédito de carbono no Brasil?
Empresas de setores como mineração, energia, agronegócio, finanças, aviação e exportação, além de bancos de fomento e tradings. Entre os compradores divulgados estão a Vale, o BNDES e as empresas do acordo Pará/LEAF, como Amazon e H&M.
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